Selfie de Barack Obama em enterro fez história!

Em 2013, aconteceu um momento marcante na história das selfies. Uma selfie de Barack Obama com David Cameron (primeiro-ministro britânico) e Helle Thornig Schmidt (primeira-ministra dinamarquesa) no enterro de Nelson Mandela, na África do Sul.

A foto repercutiu negativamente primeiramente pelo fato da selfie de Barack Obama ter sido de alegria em meio a um enterro e segundo pela cara amarga de Michelle Obama ao observar a foto sendo tirada.

Todos enxergaram a selfie de Barack Obama como lamentável e malharam pau no presidente dos EUA nas redes sociais, jornais e revistas. Fora as especulações de fofoca em torno do ciúme da primeira-dama.

O fato é que a selfie de Barack Obama não representou nada do que de fato eles estavam vivendo naquele momento. Tanto que o fotógrafo Roberto Schmidt da agência de jornalistas AFP veio a público contar a história por trás da selfie de Obama dada tamanha repercussão.

Na África do Sul, a cultura é diferente da nossa e de muitos países. Eles estavam em clima de festa comemorando a passagem do líder Nelson Mandella para outra vida. Havia música e descontração de todos em um ambiente harmonioso. Michelle Obama somente foi pega em um momento mais sério (quem nunca teve foto ruim batida?).

Nós, seres-humanos, temos costume de pré-julgar e aproveitar de momentos como esse para criticar e se prevalecer perante os outros. Também culpo a mídia sensacionalista, que se aproveita de situações como essa para vender tabloides.

Acredito que a selfie Barack Obama valeu de aprendizado para quando olharmos uma próxima foto de selfie buscarmos entender o que estava acontecendo por trás da foto em qualquer que seja a situação.

Selfie de Barack Obama no enterro de Nelson Mandela fez história
Selfie de Barack Obama no enterro de Nelson Mandela fez história

Reportagem sobre a selfie de Barack Obama

Depois da grande repercussão na terça-feira de uma foto que mostrava uma suposta cena de ciúme de Michelle Obama durante homenagem a Nelson Mandela, o autor da imagem, o fotojornalista Roberto Schmidt, escreveu um artigo contando a “história por trás do selfie de Barack Obama” que tomou as redes sociais e os noticiários do mundo inteiro.

Então aqui está a foto, minha foto, uma selfie de Barack Obama, que rapidamente tomou as redes sociais e sites de notícias do mundo todo. O “selfie” de três líderes mundiais que, durante a despedida de Nelson Mandela na África do Sul , brincaram como crianças, em vez de se comportar com a seriedade e a tristeza que se poderia esperar.

Em geral, neste blog, fotojornalistas contam a história por trás de uma imagem registrada por eles. Eu fiz isso para as fotos tiradas no Paquistão e na Índia, onde é minha base. E aqui estou eu de novo, mas desta vez a imagem vem de um estádio em Soweto, e mostra pessoas que batem fotos de si mesmas. Eu acho que é um sinal dos nossos tempos que, de alguma forma, esta imagem chame mais a atenção do que o próprio evento. Vai entender.

De qualquer forma, eu cheguei na África do Sul junto com vários outros jornalistas da AFP para cobrir a despedida e o enterro de Nelson Mandela. Estávamos no estádio Soccer City, em Soweto, sob uma chuva torrencial. Eu estava lá desde o raiar do dia e quando tirei a foto a cerimônia memorial já ocorria há mais de duas horas.

No púlpito, Obama qualificou Mandela como um “gigante da história que moveu uma nação à justiça”. Após seu eufórico elogio, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos sentou-se cerca de 150 metros à minha frente. Ele estava cercado por outros dignitários estrangeiros e eu decidi seguir os seus movimentos com a minha lente 600mm.

Então, Obama tomou seu lugar em meio a líderes vindos de todos os cantos do mundo. Entre eles estava o primeiro-ministro britânico, David Cameron, assim como uma mulher que eu não era capaz de identificar imediatamente. Mais tarde eu soube que era a primeira-ministra dinamarquesa, Helle Thorning Schmidt. Eu sou um alemão-colombiano que vive na Índia, então não me sinto mal por não a ter reconhecido! Na hora, pensei que ela era uma entre os muitos funcionários de Obama.

De qualquer forma, de repente essa mulher pegou o telefone celular e tirou uma foto de si mesma, sorrindo ao lado de Cameron e do presidente dos EUA. Eu capturei a cena reflexivamente. Tudo ao meu redor no estádio — sul-africanos dançando, cantando e rindo para honrar seu líder morto — era mais como uma atmosfera de carnaval, nem um pouco mórbida. A cerimônia já tinha seguido por duas horas e duraria mais duas. A atmosfera era de total relaxamento — eu não via nada de indecoroso no meu visor, presidente dos EUA ou não. Estamos na África.

Mais tarde eu li em mídias sociais que Michelle Obama parecia estar bastante irritada vendo na selfie de Barack Obama a primeira-ministra dinamarquesa tirando a foto. Mas as fotos podem mentir. Na verdade, alguns segundos antes, a primeira-dama estava rindo com as pessoas em volta, incluindo Cameron e Schmidt. Seu olhar severo foi capturado por acaso.

Eu tirei essas fotos totalmente espontâneas, sem pensar no impacto que elas podiam ter. Naquele momento, eu acho que os líderes mundiais estavam simplesmente agindo como seres humanos, como eu e você. Eu duvido que alguém poderia permanecer totalmente inflexível ao enfrentar aquela cerimônia, enquanto dezenas de milhares de pessoas comemoravam no estádio. Para mim, o comportamento desses líderes tirando uma “selfie” parece perfeitamente natural. Não vejo nada do que reclamar, e provavelmente teria feito o mesmo em seus lugares.

A equipe da AFP trabalhou duro para mostrar a reação dos africanos em relação ao falecimento de alguém que eles consideravam um pai. Tiramos cerca de 500 fotos tentando retratar os seus verdadeiros sentimentos, e esta selfie de Barack Obama aparentemente trivial se sobressaiu muito em comparação a esse trabalho coletivo.

Foi interessante ver os políticos de uma forma humana, porque geralmente quando os vemos, estão em um ambiente controlado. Talvez isso não teria sido um problema se nós, como imprensa, tivéssemos mais acesso às personalidades e fôssemos capazes de mostrar que eles são seres humanos como o resto de nós.

Confesso também que me deixa um pouco triste o fato de estarmos tão obcecados por trivialidades rotineiras, em vez de coisas de real importância.

Fonte: Zero Hora

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Thiago

Autor e criador dos blogs Selfie Blog e Vida de Turista. Adora tecnologia, viagens e quando possível unir os dois em uma grande selfie.

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